Deodoro da Fonseca, quem foi ele?

Deodoro da Fonseca, quem foi ele?

Manuel Deodoro da Fonseca (Alagoas da Lagoa do Sul, 5 de agosto de 1827 – Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1892) foi um militar e político brasileiro, primeiro presidente do Brasil e uma das figuras centrais da Proclamação da República no país.

Depois de estudar artilharia em uma escola militar no Rio de Janeiro de 1843 a 1847, participou de várias campanhas militares durante o Império, entre as quais se destacam a Revolução Praieira, o Cerco de Montevidéu e a Guerra do Paraguai. Em 1885 tornou-se vice-presidente da província de São Pedro do Rio Grande do Sul; no ano seguinte, com a renúncia do então presidente Barão de Luceno, Deodoro assume a presidência do Rio Grande.

Por causa de seu envolvimento no que ficou conhecido como a Questão Militar – confrontos entre as forças armadas e o governo civil imperial – ele retornou ao Rio de Janeiro. Nomeado para o comando militar da província de Mato Grosso em 1888, renunciou ao cargo no ano seguinte, após a nomeação do último gabinete ministerial do Império, chefiado pelo presidente do Conselho de Ministros, Visconde de Ouro Preto. Em meio às diversas crises que assolaram a monarquia brasileira, Deodoro liderou um golpe de estado que derrubou o Império e declarou a república no país.

Com a mudança no sistema de governo, Deodoro assumiu o comando do país como chefe do governo provisório da república. As primeiras mudanças de seu governo incluíram a criação do Código Penal brasileiro, a reforma do Código Comercial do Brasil e medidas que oficializaram a separação entre igreja e estado, como a instituição do casamento civil e a secularização dos cemitérios. No plano econômico, ocorreu a chamada crise do Encilhamento, caracterizada por uma grande bolha especulativa e alta inflação, provocada pela política econômica de seu ministro da Fazenda, Ruy Barbosa.[3] Em 1891, foi promulgada a primeira constituição republicana do país e Deodoro foi eleito presidente em votação indireta. Seu governo constitucional foi marcado por fortes tensões políticas entre suas tendências centralizadoras e as tendências federalistas da sociedade civil e de setores militares, levando à dissolução do Congresso Nacional. Sob a ameaça do primeiro motim naval, Deodoro renunciou à presidência em 23 de novembro de 1891.[5] Ele morreu no ano seguinte, em 23 de agosto, vítima de um grave ataque de asfixia.

Família

O Marechal Hermes Ernesto da Fonseca, irmão de Deodoro, foi pai do próximo Presidente da República, Hermes da Fonseca
Manuel Deodoro da Fonseca nasceu em Alagoas da Lagoa do Sul em 5 de agosto de 1827.Ele basicamente veio de uma família militar. Seu pai, Manuel Mendes da Fonseca Galvão, natural de Anadia (atual Alagoas), ingressou no exército português em 1806 no Recife como praça de infantaria (a partir de 1822 passou a integrar o nascente exército brasileiro) e foi subindo gradativamente em todos os postos subordinados da carreira. , saindo em 1842 para o posto de tenente-coronel.[10][11] Deodoro tinha duas irmãs e sete irmãos.[12] Todos os homens eram soldados e seis deles lutaram na Guerra do Paraguai.[13] O mais velho, Hermes Ernesto da Fonseca, também pai do Presidente da República e do Marechal Hermes da Fonseca, alcançou o posto de Marechal do Exército e foi presidente das províncias do Mato Grosso e da Bahia.

Afonso Aurino da Fonseca, o caçula, tenente do 34º Batalhão dos Voluntários da Pátria e major Eduardo Emiliano da Fonseca tombou na batalha de Curupaiti. O capitão Hipólito Mendes da Fonseca morreu atravessando a ponte do Itororó. O Marechal de Campo Severino Martino da Fonseca e o General Severiano Martins da Fonseca também serviram na guerra.[12] Severiano recebeu o título nobre de Barão de Alagoas[16] e foi diretor do colégio militar de Porto Alegre. O coronel honorário do exército brasileiro, Pedro Paulino da Fonseca, era governador de Alagoas logo quando esta declarou a república, e também senador pelo mesmo estado.[17] Além disso, era pai de Orsina da Fonseca, esposa do filho de outro de seus irmãos, também seu sobrinho, o Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca, criando assim um casamento de primos.[18][19] Pedro Paulino, já aposentado na época, foi impedido por seus irmãos de servir como voluntário, tornando-se o único dos oito irmãos que não lutou na Guerra do Paraguai.

Juventude

A família Fonseca retratada pela Revista Ilustrada em 1865. Ao centro, a matriarca Dona Rosa
Deodoro da Fonseca nasceu em 5 de agosto de 1827 na Vila de Alagoas da Lagoa do Sul,[9] na antiga província de mesmo nome, hoje na cidade que leva o nome de Marechal Deodoro. Era filho de Manuel Mendes da Fonseca (1785-1859) e de Rosa Maria Paulina da Fonseca (1802-1873).[21][22] Seu pai também era militar, promovido ao posto de tenente-coronel e pertencia ao Partido Conservador.[23] Em 1845 ele era um cadete de primeira classe. Em 1848, participou de sua primeira ação militar, ajudando a reprimir a Revolta Praieira, [24][25] levante apoiado pelos liberais pernambucanos.

Casou-se aos 33 anos, em 16 de abril de 1860, com Mariana Cecília de Sousa Meireles, considerada pelos biógrafos uma mulher culta, religiosa, modesta e talentosa. O casal não teve filhos. Na época, rumores diziam que Deodoro era estéril.[20] Seu sobrinho Hermes da Fonseca, que também se tornou presidente da república, foi considerado filho por Deodoro.

Deodoro (quarto na primeira fila, da esquerda para a direita) e Conde d’Eu (à sua direita), juntamente com outros oficiais militares, em 1885
Em 1852 foi promovido a primeiro-tenente. Em 24 de dezembro de 1856, ele recebeu o posto de capitão. Em dezembro de 1864, participou do cerco de Montevidéu[24] durante a intervenção militar brasileira contra o governo de Atanasio Aguirre no Uruguai. Pouco depois, o Uruguai sob o novo governo, juntamente com Brasil e Argentina, formam a Tríplice Aliança contra a ofensiva do ditador paraguaio Francisco Solano López.

Em junho de 1865, foi com o exército brasileiro para o Paraguai, que invadiu a província de Mato Grosso. Deodoro comandou o segundo batalhão de Voluntários da Pátria. Suas conquistas em combate lhe renderam especial reconhecimento na Ordem de 25 de agosto de 1865. No ano seguinte recebeu o título de Cavaleiro da Cruz Imperial e em 22 de agosto o posto de Major.

Ele se destacou por seus atos de bravura na Guerra do Paraguai.Foi promovido a tenente-coronel em 18 de janeiro de 1868, recebendo a patente de coronel em 11 de dezembro do mesmo ano. Todas essas promoções foram devido à guerra. Segundo o próprio Deodoro: “Tive apenas um protetor: Solano López. Devo minha carreira a quem provocou a guerra no Paraguai.” Deodoro foi ferido na batalha de Itororó e voltou para o Brasil. Mais tarde, por decreto de 14 de outubro de 1874, foi promovido a general de brigada, posto equivalente ao atual general de brigada.

Em 1885, tornou-se pela segunda vez Comandante-em-Chefe da Província do Rio Grande do Sul, cargo que ocupou juntamente com o de Vice-Presidente da Província.[24] Mais tarde, ele se tornou o presidente interino da mesma província. Ainda como presidente interino, ele colocou em operação a primeira linha telefônica de Porto Alegre e foi o responsável pelo primeiro “alô” transmitido pela nova tecnologia, que chegou à cidade dez anos depois de Alexander Graham Bell apresentá-la a Pedro II. Estados Unidos da América. Em 30 de agosto de 1887, ele recebeu o posto de marechal de campo.

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